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Jovens
imediatistas assustam
gestores na hora
da contratação
- Março
de 2010
Por
André Lobato
Um
jovem que estudou
nas melhores escolas,
aprendeu idiomas,
teve experiências
no exterior, é
inteligente, criativo
e conectado e tem
disposição
para trabalhar duro
e inovar ostenta
um currículo
que parece ser o
sonho dos selecionadores
das empresas.
Não necessariamente.
Esse mesmo perfil
pode virar um pesadelo
para os gestores
que logo identificam
a geração
Y - leva dos nascidos
entre 1980 e 1990,
que reúne
caraterísticas
como agilidade,
autodidatismo tecnológico
e criatividade.
Isso porque esses
"nativos digitais"
demandam muito de
seus superiores,
não temem
atropelar processos
e, principalmente,
não pensam
duas vezes antes
de trocar a empresa
que investiu em
seu treinamento
por uma que pague
melhor ou outra
que ainda não
existe: a que vão
criar.
Assim, os gestores
tendem a ficar alertas
para o perfil Y
excessivo: aquele
que, apesar de reunir
o currículo
ideal, não
tem paciência
para os ritos da
cultura corporativa,
como esperar por
uma promoção.
Para Fernando Mantovani,
da consultoria Robert
Half, o principal
problema é
a alta rotatividade.
"Uma empresa
investe muito no
profissional. Se
após dois
anos ele sai, não
valeu a pena",
avalia, sobre o
desgaste financeiro
e organizacional.
O consultor argumenta
ainda que essa rotatividade
é estimulada
pela ambição
por grandes projetos,
com desprezo pelos
menores e, especialmente,
pelas tarefas operacionais.
"Não
dá para sair
da faculdade e construir
uma hidrelétrica.
É preciso
primeiro fazer uma
estrada, depois
uma ponte pequena
e, em seguida, uma
ponte grande",
exemplifica.
Falta
maturidade
Além de estarem
atentos para filtrar
o Y excessivo, alguns
gestores chegam
até a optar
pela geração
anterior, chamada
de X. Apesar de
menos inovadora,
tem mais facilidade
de lidar com processos
e repetições.
"Prefiro um
X a um Y",
diz Sandra Regina
Frias, diretora
de recursos humanos
da Chris Cintos
de Segurança.
"Trabalhamos
com a vida das pessoas.
Não dá
para ter alguém
imediatista e sem
compromisso com
o produto",
declara.
"A imaturidade
acaba trazendo algumas
consequências.
Eles não
têm muita
noção
do risco do que
estão fazendo.
Por isso o treinamento
é essencial.
Apesar disso, vejo
o tempo inteiro
o baixo desempenho
dos que têm
40 anos", afirma
Márcia Almstrom,
consultora de recursos
humanos. "Isso
não acontece
com o jovem, porque
ele gosta do que
faz."
Fonte:
Folha de São
Paulo
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