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Aparência
pode decidir contratação
- Fevereiro
de 2010
A
aparência
pode contar pontos
não apenas
no momento de conseguir
um emprego, mas
também na
hora da definição
do salário.
A polêmica
afirmação
foi resultado de
uma pesquisa realizada
recentemente pela
Universidade de
Yale, em Conneticut,
nos Estados Unidos.
O estudo mostrou
que, entre os entrevistados,
os considerados
menos ‘atraentes’
ganhavam em média
10% a menos em comparação
com os de melhor
aparência.
Ao
analisar esse estudo,
fica difícil
aceitar que ele
se aplica em sua
totalidade à
realidade brasileira,
principalmente ao
afirmar que a beleza
garante não
só uma vaga
como um salário
maior. Isso se aplica,
obviamente, às
empresas cujo negócio
é a “boa
aparência”
– moda, estética,
publicidade, eventos.
Mas,
se não se
pode afirmar que
a pesquisa se aplica
ao Brasil, tampouco
pode-se afirmar
o contrário.
A
dimensão
estética
é um importante
valor em todas as
culturas. Diante
do belo, das belas
formas, do gracioso,
jovial, suave, agradável
e harmonioso cria-se
uma atmosfera de
boa vontade e empatia.
Os recrutadores
não são
super homens ou
super mulheres imunes
às emoções
que a presença
do belo suscita.
Mas os bem preparados
são capazes
de manter a objetividade
e escolher um candidato
avaliando as competências,
as habilidades e
as atitudes necessárias
ao trabalho que
irá realizar.
O
belo, quando é
mera aparência,
sem essência,
muito depressa é
desmascarado. Uma
recepcionista atenta
é de grande
ajuda para o recrutador.
Ela observa o comportamento
do candidato a emprego
enquanto ele espera
ser chamado para
a entrevista e poderá
traçar um
perfil só
com as respostas
a essas perguntinhas
bem básicas:
como se apresentou
à recepção?
Chegou no horário?
Estava tranqüilo?
Esbaforido? Foi
educado e gentil?
Cumprimentou outras
pessoas presentes?
Sentou-se e portou-se
sobriamente? Apanhou
uma revista para
ler? Qual revista?
Abriu o próprio
computador? Falou
ao celular discretamente?
Pareceu impaciente?
Transpirava? Tomava
café ou água
demais?
Além
disso, hoje há
câmeras por
todo lado. Ficou
fácil confrontar
a percepção
sobre a pessoa.
Conteúdo
define a escolha
No
fim das contas,
as empresas contratam
as pessoas afinadas
com os seus valores,
visão e missão.
Nos processos seletivos
costumam deixar
claro “como
são as coisas
por aqui”.
Ou seja, qual a
cultura prevalecente.
E essa cultura decorre
dos valores que
as pessoas compartilham,
explicitados, por
exemplo, em comportamentos,
vestuário
e postura no trabalho.
É
comum que pessoas
se candidatem a
empregos em empresas
cujas culturas ou
“jeito de
ser” façam
sentido para elas.
Algumas buscam empresas
por serem “cool”,
oferecerem “mimos”
como liberdade e
informalidade. Outras
preferem empresas
com estilos de negócio
e gestão
mais tradicionais.
Num caso ou noutro,
a aparência
das pessoas segue
o estilo da empresa
e a percepção
do belo pode variar.
Aparência,
essência e
sedução
Mesmo
que a pesquisa aludida
não se aplique
à nossa realidade,
empresas e candidatos
a emprego se esmeram
na arte da sedução.
Um quer ser atraente
para o outro. Quer
ser a escolha do
outro. Seduzir é
fazer crer que se
pode propiciar ao
outro, melhor do
que ninguém,
o que ele deseja.
O sedutor faz-se
encantador, irresistível.
Sabe o que pode
encantar e oferece
- seja “boa
aparência”,
comportamento ou
atitude. Isto não
precisa implicar
numa deliberada,
contínua
e penosa “representação”.
Se for pura aparência,
sem essência,
não há
como sustentar-se
por muito tempo.
Ainda que amem o
belo, as empresas
precisam de resultados.
Se for possível
ter o melhor dos
dois mundos (beleza
e resultados), por
que não?
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Angela Souza é
Diretora de Desenvolvimento
Humano e Organizacional
da empresa Talk
Interactive. É
bacharel em Filosofia
pela UFSC, especialista
em Filosofia Política
(UFSC) e em Gestão
Estratégica
de Negócios
(FGV/RJ).
Fonte:
Portal Administradores
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